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Jornal Tribuna do Vale - 13/11/2018

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Amunorpi se manifesta contra curso de Medicina no campus de Cornélio

Prefeitos da Associação dos Municípios do Norte Pioneiro lançaram manifesto contra decisão da governadora

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09 NOV 2018Por Da Redação17h37
Prefeitos da Amunorpi divulgaram manifesto de descontentamento com decisão da governadoraFoto: Marcos Júnior

Prefeitos da Associação dos Municípios do Norte Pioneiro (Amunorpi), em reunião realizada na manhã de sexta-feira (09), na sede da entidade, em Jacarezinho, aprovaram a elaboração e divulgação de um manifesto de descontentamento com o anúncio da assinatura do decreto de criação do curso de Medicina no campus da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) em Cornélio Procópio.

 

Segundo o documento divulgado no início da tarde à imprensa, a Faculdade de Medicina é uma aspiração de mais de 20 anos do Norte Pioneiro e agora não pode ser preterido mais uma vez. “O curso de Medicina iria reduzir o martírio dos pacientes de nossa região pelas estradas do Paraná. Com isto seriam evitados acidentes com ambulâncias que vitimam seres humanos”, aponta a nota.

 

Segundo os prefeitos da Amunorpi, Cornélio Procópio está a apenas 50 km de Londrina e já existem vários cursos de Medicina naquela cidade. O texto expõe ainda que o governo estadual está sendo obrigado a investir recursos do Tesouro na construção de prédios para a instalação do curso no campus procopense, enquanto que, nas cidades de Santo Antônio da Platina e Jacarezinho já existem estruturas prontas, sem a necessidade de dispêndio de dinheiro público.

 

O Norte Pioneiro está há 150 km de Londrina e Marília, e 200 km de Ponta Grossa, onde existem faculdades de Medicina com toda estrutura médica que traz benefícios às comunidades destas regiões. Em contrapartida, a região da Amunorpi é exportadora de doentes para outros centros urbanos possuidores de melhor estrutura na área de saúde.

 

“Assim sendo, a Amunorpi conclama os deputados que representam seus municípios a se juntarem a esta luta para derrubarem este decreto. Cada Prefeito irá colher assinaturas em seus municípios para levar aos seus governantes esse descontentamento”, finaliza a nota.

 

Saia justa

 

Quem fica numa situação desconfortável diante da reação dos prefeitos do Norte Pioneiro é o deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli (PSB), que recebeu apoio de vários prefeitos da Amunorpi nas últimas eleições, mas foi o responsável, junto com o deputado federal Alex Canziani (PTB), pela escolha do campus de Cornélio Procópio para sediar o curso de Medicina.

 

Na manhã de ontem (09), por exemplo, o prefeito de Carlópolis, Hiroshi Kubo, que apoiou Romanelli nas últimas eleições, enviou mensagem manifestando que esteve do lado do parlamentar na campanha, mas discorda de sua postura em relação ao curso de Medicina da UENP.

 

Nem mesmo sua tentativa de amenizar o clima negativo ao anunciar estudos para a implantação de cursos tecnológicos em Santo Antônio da Platina foi suficiente para minimizar o descontentamento na comunidade. Apesar do amplo apoio que recebeu do grupo do prefeito Zezão, a votação de Romanelli foi decepcionante na cidade.

 

No final da tarde de quinta-feira (08), o prefeito de Ribeirão Caro, Mário Augusto Pereira (PSC) divulgou um vídeo nas redes sociais em que conclama os colegas para ingressar na justiça contra o decreto da governadora, entendendo que a decisão de Cida Borghetti fere o princípio do interesse público.

 

Ontem a redação da Tribuna do Vale recebeu dezenas de manifestação de líderes comunitários e profissionais de educação, lamentando a decisão do governo. Um dos que expressaram tristeza e decepção é o ex-vereador e professor Aguinaldo do Carmo, um dos que se engajou na luta pelo curso de Medicina em Santo Antônio da Platina. Em seu desabafo ele assinala o menosprezo dos governantes para com o Norte Pioneiro e a visão obtusa para o que chama de prioridade.

“Entendo como politicas públicas o benefício daqueles que efetivamente precisam dos governos, os mais carentes, em detrimento da visão política. Mas não é o que vemos neste caso. O interesse político suplantou a necessidade de uma região carente, com cerca de 300 mil habitantes”.

 

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