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Jornal Tribuna do Vale - 17/09/2018

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DENÚNCIA

Moradores do Jardim El Dourado dizem que local é “terra de ninguém”

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18 OUT 2017Por Da Redação19h42

O loteamento Jardim El Dourado, em Carlópolis, se tornou motivo de uma série de denúncias dos moradores. Entre elas, o fato de existir uma casa que nunca foi habitada, imóveis alugados - o que é proibido -, uma mercearia construída no meio da rua, desfigurando o projeto do loteamento, e possíveis proprietários que já possuem outros imóveis. Um morador chamou o local de “terra de ninguém”, porque, segundo ele, há inúmeras irregularidades ocorrendo desde a seleção dos mutuários.  

O Conjunto Habitacional do programa federal “Minha Casa Minha Vida”, criado com a finalidade de beneficiar famílias de baixa renda está se tornando, de acordo com alguns moradores, um balcão de negócios, ou seja, uma fonte de renda para os proprietários que não precisam morar no local. Segundo eles, dos 54 imóveis, oito estão sendo usados de forma indevida, ou seja, estão alugados para terceiros por uma quantia de aproximadamente R$ 400 ao mês.  Alguns contemplados pelo programa que moram no loteamento se revoltaram com a situação. Eles acham que se as famílias estão sublocando as casas é porque já possuem outro lugar para morar. 

As 54 unidades foram entregues há três anos, mas existe casa que o beneficiado nunca se quer morou dentro do imóvel (Antônio de Picolli / Tribuna do Vale)

 As 54 unidades foram entregues em 2014, mas existe casa que o beneficiário nunca, sequer, ocupou o imóvel. Como se não bastasse, eles denunciam que foi construída uma mercearia no meio de uma das ruas, que desfigura a planta do loteamento e impede o direito dos cidadãos de ir e vir. “É uma vergonha, famílias carentes realmente precisando de um teto para morar e pessoas que nem precisam foram contempladas. Há três anos existe uma casa fechada, nunca ninguém morou, nem o mato é roçado. Acho injusto com a população. Queremos providências das autoridades”, disse um morador que preferiu manter sua identidade preservada.

A atual secretária de Assistência Social Ivete Machado, que já atuou como vereadora no município, é uma das que discordam dos fatos que estão ocorrendo no conjunto habitacional. Em 2012, a então parlamentar questionou em plenário a forma como foram selecionados os contemplados do loteamento Jardim El Dourado. Na sequência, encaminhou um ofício ao prefeito interino da época, Carlos Alberto Andrade, o Carlinhos Polícia, solicitando um parecer sobre os critérios utilizados para a seleção das famílias contempladas, visto que, no seu ver, alguns não se enquadram como famílias carentes. “Cobramos várias vezes e nunca nada foi feito, nenhum parecer técnico sobre os critérios utilizados, nenhuma resposta da prefeitura”, lamentou.

Ivete comentou que a secretaria promoveu neste ano um novo cadastramento das famílias, totalizando 1.600 inscritos. “Garantimos que o que depender da nossa gestão será plena transparência com a comunidade”, enfatizou.

A equipe de reportagem da Tribuna do Vale entrou em contato com o escritório regional da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) em Cornélio Procópio para esclarecer sobre a fiscalização do uso dos imóveis e a forma como é feita a seleção dos contemplados. Informalmente, a direção do órgão comentou que a fiscalização é complicada, mas o Ministério Público de Carlópolis já buscou informações sobre esse loteamento anteriormente.

Também foi informado que a pré-seleção é feita pela Cohapar, mas a seleção definitiva é de responsabilidade da Caixa Econômica Federal, que usa um sistema de cruzamento de dados, que consegue descobrir se um candidato já tem financiamento de imóvel em qualquer estado do País.   

A Cohapar também recomenda aos moradores que tenham denúncias sobre possíveis irregularidades que procurem o Ministério Público, que já está informado sobre as questões levantadas por eles.   

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