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Jornal Tribuna do Vale - 12/07/2018

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PARANÁ

MP joga duro contra falta de vagas em creches

Santo Antônio da Platina lidera déficit de vagas na região; insensibilidade de empresas agrava situação

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29 JUN 2018Por Da Redação19h42
Concluído em 2016, Cmei Professor Herivelto frequentemente é alvo de vandalismoFoto: Antônio de Picolli / Arquivo

Uma notícia, veiculada ontem pelo serviço de imprensa do Ministério Público do Estado do Paraná, tendo como alvo a prefeitura de Antonina, no litoral paranaense, em que a 2ª Promotoria de Justiça daquela comarca, ajuizou ação de execução de multa de R$ 7.021.000,00 contra o município por descumprimento de decisão judicial que determinou que a administração zerasse a lista de espera de crianças de até três anos por vagas em creches, revela o quanto o órgão está jogando pesado com as cidades que não levam a sério este assunto.

Esta é uma realidade que se constata em todo Paraná, de um lado pela carência de recursos aos municípios, mas em grande parte, pela falta de prioridade social de muitas administrações municipais. Por outro lado, o que se vê, também, é a ausência de comprometimento social de grandes empresas como a Pro Tork, de Siqueira Campos, e, Yazaki, de Santo Antônio da Platina, que simplesmente ignoram este drama envolvendo muitos de seus funcionários que não tem com quem deixar seus filhos.

Dados da Secretaria Municipal de Educação de Santo Antônio da Platina revelam que a cidade tem cerca de 800 crianças com idade entre um e três anos aguardando por vaga em creches. O déficit elevado coloca o município na liderança regional em falta de vagas nas escolas.

Isso tem provocado constates denúncias ao Ministério Público e preocupa administração pública, que, no entanto, demonstra incapacidade de atacar o problema, e o que é pior, deixa uma unidade que está pronta ser depredada por atos de vandalismo porque a gestão municipal não cuida do patrimônio público.

Há o caso de Ribeirão do Pinhal em que o Ministério Público da comarca simplesmente chamou a administração local a assumir um compromisso de zerar o número de vagas nas creches. Neste sentido foi assinado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), pelo qual a prefeitura se compromete a resolver o problema, podendo sofrer penalidades caso não cumpra o que foi estabelecido no acordo.

Em Santo Antônio da Platina a secretária de Educação, Adriane Cavatoni Vicário, admite que o problema é antigo e se agrava a cada dia em consequência do número de nascimentos acima da média no município. “O déficit de vagas em creches sempre existiu, porém, numa proporção bastante inferior. Acontece que, nos últimos anos, o número de nascimentos na cidade aumentou significativamente, e, consequentemente, a busca por vagas nos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIS) pelos pais logo nos primeiros meses de vida dos filhos”, declarou há cerca um ano, assinalando que a partir do segundo semestre de 2017 o problema seria minimizado com a inauguração de duas novas creche, mas até agora o problema persiste.

O município construiu no final da administração passada os CMEIS, Laura Bahena, no conjunto Vitória Régia e Professor Herivelto Prado, na Vila Ribeiro, que deveriam ofertar mais 200 vagas. No entanto, a creche da Vila Ribeiro, como é mais conhecida, vive estado de abandono, sendo vandalizada, obrigando o município a investir mais recursos em sua restauração.

Insensibilidade

Uma questão que agrava o problema na região do Norte Pioneiro é a insensibilidade social de grandes empresas que atuam na região. Se essas empresas adotassem a mesma responsabilidade social da empresa Klabin, de Telêmaco Borba, que constrói creches nos bairros da cidade sede e em outras onde atua, o problema da falta de vagas seria minimizado. Não é o que acontece em Siqueira Campos e Santo Antônio da Platina, que sediam a Pro Tork, fabricante de peças para motocicletas, e a Yazaki, que produz equipamentos para a indústria automobilística.

São empresas sem qualquer responsabilidade social, que poderiam ajudar a minimizar o problema que atinge, diretamente, seus próprios funcionários. Juntas, as duas companhias empregam cerca de cinco mil trabalhadores. Enquanto isso, a esperança fica por conta da ação do MPPR, que responsabiliza as administrações municiais pela gravidade do problema.

 

 

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