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Jornal Tribuna do Vale - 21/09/2018

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Benedito Francisquini

Cambaraense, apaixonado pela comunicação e entusiasta da tecnologia.

Panorama Regional

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26 JAN 2016Por Benedito Francisquini18h42

As consequências do voto

Acompanhando de perto os fatos absurdos que estão ocorrendo em Abatiá podemos dimensionar as consequências de um voto errado! Um município com quase 8 mil habitantes, um dos solos mais ricos e férteis deste país, com um povo ordeiro e trabalhador, é tomado de sobressalto quase todos os dias pela ação descontrolada de um cidadão, ex-prefeito Jurandir Yamagami, marido da atual prefeita da cidade, Maria de Lourdes Ferraz Yamagami (DEM), que reage às críticas e denúncias na base das ameaças. Dona Lourdes é a pessoa que menos deve ser responsabilizada. Era uma pacata dona de casa, mãe e avó, de repente guindada à condição de prefeita, por obra de seu marido, que impedido de ser candidato por ser “ficha suja”, colocou a esposa no lugar, elegendo-a por obra de sua popularidade.

Fantoche

Dá pena de Dona Lourdes, uma mulher suave, que vem sendo motivo de piada na cidade quando todos dizem que o prefeito é seu marido, um homem violento, que faz dela marionete, fantoche de suas fantasias megalomaníacas.

Violência

Ano passado Jurandir protagonizou algumas cenas que não serão esquecidas pela comunidade local. Uma delas foi a perseguição que empreendeu pela cidade, atrás do diretor da única emissora da cidade, uma FM comunitária, tudo porque ele criticou a administração em um programa da rádio. Outro caso antológico foi sua intervenção durante um programa jornalístico da emissora. Ele ligou para a rádio e, sem saber que estava ao vivo, desandou a proferir palavrões, acusações, atingindo até familiares dos radialistas.

Derrame 1

Numa dessas investidas contra desafetos, por conta de seu desequilíbrio emocional, Jurandir Yamagami teve uma crise de hipertensão que resultou num derrame cerebral, com sequelas físicas, pois ele teve comprometimento dos movimentos do lado direito do corpo.

Derrame 2

Para o médico Auro Pereira, a última vítima do ex-prefeito, Jurandir corre sério risco sofrer novo AVC pelo descontrole emocional que vem demonstrando. “Do jeito que ele chegou AO hospital, gritando, com rosto congestionado, fica evidente que ele está pondo em risco a própria vida. Pode ocorrer outro AVC”, alertou, referindo à agressão que sofreu por parte do ex-prefeito.

Abandono

Prefiro não avaliar a administração de Dona Lourdes. Atenho-me apenas ao que está ocorrendo na saúde. Como explicar um município próspero como Abatiá, ter um pronto socorro interditado porque nos últimos anos nunca passou por obras de manutenção para torná-lo capaz de oferecer atendimento de qualidade à população? Quem procura pronto socorro é, via de regra, gente pobre, que busca socorro na única fonte de esperança de ver um ente querido livre de suas dores. A unidade é o que se pode definir como um lixo, com infiltrações, mofo, entre outras mazelas fruto do abandono.

E a Santa Casa?

Estive na Santa Casa, cujo prédio é anexo ao Pronto Socorro. Depois de muitos anos, a unidade hospitalar começou a respirar esperança. Algumas obras de melhorias, instalação de sistema de ar condicionado, readequações na estrutura, começaram a acontecer graças aos médicos que assumiram o atendimento ambulatorial. Mas a esperança termina com a ação da prefeitura, que rescindiu o contrato com a empresa dos profissionais médicos.

Testemunho

Todos os funcionários com quem conversei, elogiam os médicos que há três meses vinham transformando o hospital, mas reclamaram da prefeitura e da direção da Santa Casa. Até sexta-feira da semana passada eles ainda não haviam recebido o 13º salário.

Cadê o gerador?

O médico Auro Pereira faz outras revelações que prometem dar o que falar. Ele disse que vai levar ao Ministério Público Federal (MPF) um pedido de investigação para apurar o destino dado a uma verba de R$ 80 mil, do governo federal, para aquisição de um novo gerador para a Santa Casa de Abatiá. Ele conta que esse dinheiro consta no Portal da Transparência da União como tendo sido liberado ao Município, mas no hospital o único gerador utilizado é um pequeno, adquirido há muitos anos. Além disso ele quer saber como o hospital está gastando os repasses do SUS, que declara no mesmo portal R$ 25 mil mensais, mas consta que a verba aplicada é de R$ 16.200.