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Jornal Tribuna do Vale - 11/01/2018

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Fábio Campana

Política, cultura e o poder por trás dos panos.

Fábio Campana é jornalista e escritor. Diretor da editora Travessa dos Editores. Editor das revistas Et Cetera e Ideias. Publica colunas em uma rede de jornais do interior do Paraná, entre eles a Tribuna do Norte, e faz comentários políticos diários na rádio CBN Cascavel. Foi secretário de Comunicação Social da Prefeitura de Curitiba e secretário de estado da Comunicação Social em três governos. Editor da extinta revista Atenção. Editor do extinto Correio de Notícias. Colunista político dos jornais Gazeta do Povo, O Estado do Paraná, Tribuna do Paraná e Gazeta do Paraná. Foi comentarista das rádios BandNews e Banda B. Fábio Campana nasceu em 1947 no município paranaense de Foz do Iguaçu. Publicou Restos Mortais, contos (1978), No Campo do Inimigo, contos (1981), Paraíso em Chamas, poesia (1994), O Guardador de Fantasmas, romance (1996), Todo o Sangue (2004), O último dia de Cabeza de Vaca (2005), Ai (2007) e A Árvores de Isaías (2011). Vive em Curitiba desde 1960.

PT espera reunir 30 mil por Lula em Curitiba

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03 MAI 2017Por Fábio Campana18h15

Embalado pelas pesquisas eleitorais mais recentes, o PT espera reunir cerca de 30 mil pessoas e ocupar Curitiba no dia 10, data marcada para o depoimento do ex-presidente Lula (PT) ao juiz Sergio Moro. Hoje a Executiva Nacional do PT reúne-se em Brasília para decidir se apoia ou não a emenda das diretas já. A proposta, se for aceita, pode ser encaminhada por meio de algum aliado como a senadora Katia Abreu (PMDB-TO). As informações são de Raymundo Costa e Andrea Jubé no Valor Econômico.

O PT avalia que o adiamento do encontro de Lula com Moro, marcado inicialmente para hoje, pode prejudicar o fluxo de caravanas de petistas que estavam mobilizadas para a greve geral e os eventos de 1º de Maio a Curitiba. Mas só os movimentos que integram a Frente Brasil Popular no Paraná prometem colocar 30 mil pessoas nas ruas da cidade.

Além da liderança de Lula nas pesquisas para 2018, animou o PT o fato de o partido ter recuperado terreno na preferência dos eleitores – passou de 15% para 20%, segundo o Vox Populi. O PT marcou uma nova reunião da Executiva para o dia 9, véspera do depoimento, mas preferiu não tomar a frente da organização dos eventos programados para Curitiba, que ficaram a cargo da Frente Brasil Popular, integrada pelo MST, CUT e a Frente Povo sem Medo — liderada pelo MTST.

A ocupação de Curitiba faz parte de uma estratégia para assegurar a candidatura Lula em 2018. Até agora o partido não discutiu a possibilidade de Lula não vir a ser o seu candidato na eleição presidencial, devido a problemas jurídicos, mas já existe um movimento nos bastidores da cúpula partidária para que o assunto seja efetivamente discutido, já que é uma hipótese real.

Além de caravanas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, são esperadas representações de Estados mais distantes do Nordeste. O ex-ministro da Justiça e procurador da República Eugênio Aragão prepara uma aula pública de direito para ministrar diante da faculdade federal. Também haverá uma “padaria comunitária que fornecerá lanches para os manifestantes.

Um integrante da Executiva petista disse ao Valor que Lula está “confiante” e determinado a “aproveitar a oportunidade” diante do juiz Sergio Moro para apresentar todos os seus argumentos de defesa contra as acusações. No processo relativo ao qual prestará declarações, Lula é acusado pelo Ministério Público Federal de ser proprietário oculto de um tríplex na praia do Guarujá (SP). Em sua delação premiada, o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro afirmou aos procuradores da força-tarefa que o apartamento pertence a Lula.

Na cúpula petista, a avaliação interna é que Sergio Moro adiou o depoimento de Lula em uma semana – estava agendado para ontem – tanto para desmobilizar a militância quanto para buscar novas provas contra o líder petista, a partir da nova leva de delações premiadas de executivos da Odebrecht e da OAS.

Já na reunião de hoje, que ocorre em Brasília, a Executiva do PT vai discutir em primeiro lugar recursos de chapas que concorrerão nos congressos estaduais do partido, que ocorrem no fim de semana. Outra pauta é o apoio à apresentação de uma proposta de emenda constitucional para a realização de eleições diretas presidenciais já em outubro. O problema é que uma proposta como essa depende, na prática, ou da renúncia do presidente Michel Temer, ou da cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral para avançar – outra hipótese seria a aprovação de uma emenda constitucional, improvável num Congresso de maioria governista.