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Jornal Tribuna do Vale - 13/11/2018

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DIAGNÓSTICO

Epidemiologia trabalha no combate à hanseníase

Equipe do Departamento de Epidemiologia alerta para a necessidade do diagnóstico precoce e procura esclarecer a população sobre sintomas da doença

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31 JAN 2018Por Gladys Santoro18h16
Equipe da Epidemiologia e do NASF trabalharam na divulgação e panfletagem da esclarecimento da doençaFoto: Divulgação

O mês de janeiro foi batizado de Janeiro Roxo em alusão à campanha mundial de combate à Hanseníase.  O dia 31 é a data que marca os trabalhos voltados ao combate da doença, que tem como objetivo principal o diagnóstico precoce para garantia de uma melhor qualidade de vida. Nos anos de 2012 a 2016, em Santo Antônio da Platina foram registrados 33 casos. Desse total, apenas oito ainda estão em tratamento. Os demais já tiveram alta.

Segundo a enfermeira do departamento de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde, Josiane Aparecida Teixeira,  a doença tem cura, o tratamento é totalmente gratuito e fornecido somente pelo Ministério da Saúde. “Por falta de informação e até de  conhecimento da diferenciação das manchas, a doença atinge muitas pessoas no Paraná, no Brasil e no Mundo. Precisamos conhecer as manchas do corpo para tratar adequadamente”, disse.

Para esclarecer a população, a equipe da Epidemiologia realizou ao longo do mês, palestras nas empresas, com os Agentes Comunitários de Saúde. “Para fechar o Janeiro Roxo, 21, houve uma panfletagem  pela manhã  feita pelo pessoal da epidemiologia e pelos profissionais do NASF – Núcleo de Apoio à Saúde da Família formada pela nutricionista Nayrana, pelo Educador Físico Gustavo e pela Assistente Social Regiane”, contou a enfermeira.

No período da tarde houve uma palestra com as enfermeiras das Unidades de Saúde ministrada pela enfermeira Joice Cardoso da Epidemiologia de Jacarezinho. Ela falou um pouco da doença e incentivou a troca de experiências entre os municípios. “Contamos também com a presença da enfermeira Melina da 19ª Regional de Saúde”, complementou salientando que quanto mais tardio o diagnóstico mais severas são as sequelas chegando a mutilação porque o bacilo responsável acomete pele e nervos periféricos.

Hanseníase T

A hanseníase é uma doença crônica, infectocontagiosa, cujo agente etiológico é o  Mycobacterium leprae (M. Leprae). Esse bacilo tem a capacidade de infectar grande número de indivíduos, no en­tanto poucos adoecem. A doença acomete principalmente pele e nervos periféricos podendo levar a sérias incapacidades físicas. É de notificação compulsória em todo o território nacional e de investigação obrigatória.

Essa doença pode acometer pessoas de ambos os sexos em qualquer idade em áreas endêmicas. Entretanto, é necessário um longo período de exposição e apenas uma pequena parcela da população infectada adoece.

Sintomas

Os sinais e sintomas mais frequentes da hanseníase são:

Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo, com perda ou alteração de sensibilidade térmica (ao calor e frio), tátil (ao tato) e à dor, que podem estar principalmente nas extremidades das mãos e dos pés, na face, nas orelhas, no tronco, nas nádegas e nas pernas;

Área de pele seca e com falta de suor, com queda de pelos, especialmente nas sobrancelhas; sensação de formigamento;

Dor e sensação de choque, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das pernas, inchaço de mãos e pés; diminuição da força dos músculos das mãos, pés e face devido à inflamação de nervos, que nesses casos podem estar engrossados e doloridos;
Úlceras de pernas e pés; caroços (nódulos) no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos; febre, edemas e dor nas juntas; entupimento, sangramento, ferida e ressecamento do nariz; ressecamento nos olhos.

Diagnóstico

O diagnóstico de caso de hanseníase é essencialmente clínico e epidemiológico, realizado por meio do exame geral e dermatoneurólogico para identificar lesões ou áreas de pele com alteração de sensibilidade e/ou comprometimento de nervos periféricos, com alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas. 

Transmissão

A hanseníase é transmitida principalmente pelas vias áreas superiores, por meio de contato próximo e prolongado de uma pessoa suscetível (com maior probabilidade de adoecer) com uma pessoa doente sem tratamento. A hanseníase apresenta longo período de incubação; em média, de 2 a 7 anos. Há referências com períodos mais curtos, de 7 meses, como também a mais longos, de 10 anos. 

Tratamento 

O Sistema Único de Saúde disponibiliza o tratamento poliquimioterápico (PQT), recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é a associação de Rifampicina, Dapsona e Clofazimina. Essa associação diminui a resistência medicamentosa do bacilo, que ocorre com frequên­cia quando se utiliza apenas um medicamento, e impossibilita a cura da doença.

Prevenção

A procura dos casos de hanseníase deve se dar na assistência prestada à população geral nas unidades de saúde dos municípios brasileiros, bem como pela investigação dos contatos domiciliares e sociais dos casos diagnosticados, conforme recomendações das Diretrizes para vigilância, atenção e controle da doença no país.

 

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