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Jornal Tribuna do Vale - 13/11/2018

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ASSALTO NA BR - 376

Vigilantes dos carros-fortes mataram vereador, diz sobrevivente

Edival conta que após a chegada do helicóptero da Polícia, os bandidos fugiram para o mato e que, ao se sentirem mais seguros, saíram do esconderijo. Nesse momento, foram baleados pelos seguranças

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07 FEV 2018Por Luiz Guilherme Bannwart/ Gladys Santoro19h22
Presidente da Câmara Municipal Jorge Galdino disse que é preciso apurar as circunstâncias da morte de Elton

No velório do vereador Elton de Alexandre Aguiar, o ‘Coruja’, de Barra do Jacaré, morto a tiros na manhã de terça-feira, 6, durante uma tentativa de assalto a cinco carros-fortes que trafegavam pela rodovia 376, na região de Ponta Grossa, o vereador Edival do Nascimento (PR), que sobreviveu ao tiroteio, afirmou que os disparos que atingiram seus colegas vereadores – Elton e Miguel Calixto – saíram da arma de um dos vigilantes dos carros-fortes, e não dos bandidos. Mesmo temendo pela própria vida, Edival conta que após a chegada do helicóptero da polícia, os bandidos fugiram para o mato e que, se sentindo mais seguros, eles saíram do esconderijo em que estavam para se proteger do tiroteio, quando foram baleados. “Estávamos nos identificando, falando que éramos vereadores e não bandidos, mas eles dispararam contra a gente. Não tinha motivo para isso. Um tiro matou o ‘Coruja’ na hora, e outro acertou o Miguel no pescoço. Escapei das balas por milagre”, conta.
Edival ainda teve presença de espírito para fotografar toda ação. “Já enviei o material para a polícia, e também para outras pessoas porque estou acusando ‘os caras dos carros-fortes’ e temo pela minha segurança”, admitiu. 

Segundo Edival, o trio de vereadores de Barra do Jacaré, assim como outros motoristas que passavam pelo local na hora da tentativa de assalto ficaram mais de uma hora entre o fogo cruzado, até a chegada do helicóptero da Polícia Militar de Curitiba. “Os bandidos fugiram com a chegada da aeronave. Quando pensamos que estávamos a salvo, acabamos sendo os alvos”, disse. O vereador lamenta, ainda, o despreparo dos vigilantes da empresa de transporte de valores e também a polícia. “Eles atiraram em inocentes. Mataram inocentes, mesmo nos identificando. Depois a polícia chegou ao local e não deu a menor importância para a gente. O Miguel estava gravemente ferido e foi socorrido pela ambulância da concessionária do pedágio. O que me revolta é que a polícia no Brasil trabalha apenas pelo salário. Eles não estão preparados para defender a população. Fomos tratados com o maior pouco caso”, acusou.

TERROR

A tragédia vivida pelos três vereadores de Barra do Jacaré começou em um dia normal de trabalho. Os parlamentares marcaram vários compromissos com políticos em Curitiba em busca de melhorias e projetos para a cidade. Um deles seria para a escola do município. Eles saíram de Barra do Jacaré às 4 horas da manhã. Rodaram até por volta das 6 horas, quando pararam para tomar um café em um posto de combustíveis. Voltaram à rodovia, passaram pelo pedágio e momentos depois viram que os veículos que seguiam na frente deles estavam encostando. “Resolvemos seguir e demos de cara com homens uniformizados. Achamos que eram policiais rodoviários. Nesse momento, mandaram a gente encostar e avisaram que era um assalto contra os carros-fortes. Disseram para descermos do carro e nos esconder”, contou.

“Corremos uns 500 metros e nos escondemos atrás de um caminhão. Nesse momento havia uma intensa troca de tiros entre os assaltantes e os seguranças dos carros-fortes. Foi cerca de uma hora de tiroteio e o tempo todo havia bandidos com a gente. Peguei meu celular e liguei para o deputado Cobra. Ele disse que ia nos ajudar e dentro de uns quarenta minutos chegou o helicóptero da PM”, relatou. 

Edival se emocionou ao lembrar que o vereador Elton dizia a todo momento que eles iam morrer. “Ele gritava: vamos morrer aqui, vamos morrer aqui. E eu dizia que não, que tinha fé que nada de mal nos aconteceria. Porém, o que mais me revolta é que na hora que deveríamos estar a salvo foi o momento mais trágico. Mataram o ‘Coruja’ e deixaram o Miguel Calixto gravemente ferido”, lamentou. Calixto levou dois tiros. Foi operado e está internado em coma induzido na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no hospital de Ponta Grossa. 

VELÓRIO

O corpo do vereador de Barra do Jacaré Elton Matta foi velado nesta quarta-feira (7) no salão paroquial da cidade. A prefeitura decretou luto oficial de sete dias. Elton de Alexandre Aguiar Matta tinha 36 anos. Era professor da rede estadual e estava no segundo mandato no legislativo. Era casado e deixa um filho. 

O presidente da Câmara de Vereadores de Barra do Jacaré, Jorge Ferreira Galdino, estava chocado com o ocorrido. Ele disse que tinha marcado de ir junto com os outros três para a capital na manhã de terça-feira, mas que sua filha ficou pedindo para que ele não fosse. “Por ironia do destino, eu atendi a um pedido de minha filha e não fui. Fiquei sabendo da tragédia pelo meu irmão. Ainda é difícil acreditar. Elton era um homem trabalhador e uma promessa política. Quanto à acusação do vereador Edival, vamos encaminhar tudo o que ele tem documentado para a polícia. Queremos justiça. Um vigilante atirar em inocentes é uma irresponsabilidade sem tamanho”, disse.

MAIS MORTES 

Três pessoas morreram e ao menos quatro ficaram feridas na tentativa de assalto aos carros-fortes, segundo a Polícia Militar (PM). Além do vereador de Barra do Jacaré, também foi morto o caminhoneiro Vilson Pereira, de 41 anos, e três suspeitos de integrarem a quadrilha.
O tenente-coronel do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Hudson Teixeira assumiu as investigações. Segundo ele, a quadrilha contava com aproximadamente 13 pessoas fortemente armadas.

OUTRO LADO

A reportagem entrou em contato com o grupo Protege – empresa de Transporte de Valores, bandeira da Proforte, envolvida no assalto de terça-feira, na rodovia BR-376, que vitimou o vereador de Barra do Jacaré.

A assessoria de imprensa enviou a seguinte nota: “Em relação à tentativa frustrada de assalto envolvendo um grande número de criminosos na BR-376, no Paraná, a empresa informa que seus colaboradores efetuaram uma manobra de segurança com os carros-fortes e conseguiram neutralizar um dos flancos do ataque do bando. O procedimento adotado é fruto do amplo e constante treinamento que nossos vigilantes são submetidos, capacitação que atende as mais rigorosas normas de segurança estipuladas pelas autoridades competentes brasileiras. Nossos colaboradores encontram-se em segurança e a empresa enaltece toda a assistência recebida pelas forças de segurança do Estado na busca e prisão de meliantes. Infelizmente, a ação dos criminosos deixou vítimas civis, para quem deixamos nossa solidariedade aos familiares e amigos. A empresa esclarece ainda que está dando o apoio necessário às apurações que estão sendo feitas pela Polícia, que está adotando todas as medidas devidas para o andamento das investigações, inclusive perícia.”

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