DRAMA

Cidade ficará com apenas um médico

22 DEZ 2017 • Por Da Redação • 19h57

O município de Jundiaí do Sul vive o drama da falta de médicos, problema que se arrasta desde o ano de 2014, segundo informa o ex-prefeito da cidade Marcio Leandro Domingues, o Marcinho do Saleto, como é mais conhecido. Na avaliação do setor administrativo da prefeitura não há previsão de solução por conta dos baixos salários oferecidos nas fracassadas tentativas de contratar profissionais através de concurso público.
Atualmente o Município possui dois médicos, sendo um ligado ao programa “Mais Médicos” e outra profissional, que atende no hospital. Como esta profissional está com quatro férias vencidas, Jundiaí terá apenas um profissional para atender nos próximos quatro meses.
O problema, segundo o também ex-prefeito Valter Abras, é que a remuneração para o cargo de médico não pode ser superior ao salário do prefeito, que está congelado desde 2012.
“Se a Câmara de Vereadores tivesse reajustado o salário do Executivo durante esses cinco anos, o atual prefeito estaria com uma remuneração superior a R$ 13 mil. Isso permitiria oferecer um salário atrativo nos concursos para contratação de médicos. No último concurso a remuneração foi fixada em cerca de R$ 4 mil. Ninguém apareceu”, assinala Abras.
Recentemente houve uma tentativa de resolver a situação. O Executivo negociou com os vereadores a reposição das perdas ocorridas nos últimos cinco anos. Para tanto o prefeito chegou a propor que abriria mão dos valores referentes ao reajuste salarial. Ele devolveria a diferença ou repassaria para o departamento de saúde pagar os profissionais, mas a matéria sequer passou pala Comissão de Constituição e Justiça.
Segundo Valter Abras, a presidente da comissão, vereadora Ana Paula Leite, bloqueou o andamento do projeto, que sequer foi apreciado no plenário. Ele não perdoa a vereadora, atribuindo a ela responsabilidade por uma campanha para abaixar o salário dos vereadores, mas, depois que se elegeu, ignorou o assunto.
Jundiaí tem três vagas para médicos. A saída para amenizar o problema é a abertura de edital para credenciamento temporário, mas é pouco provável que apareçam interessados. “Vamos fixar remuneração mensal de R$ 11 mil, mas temos que aplicar o redutor para enquadrar a remuneração compatível com o salário do prefeito”, explica um funcionário administrativo, que pediu anonimato.
O prefeito Eclair Rauen (DEM), diz que tem feito o possível para resgatar a enorme dívida do município com o setor de saúde. Esta semana ele esteve em Curitiba e assinou convênio para repasse de R$ 250 mil da Secretaria de Estado da Saúde (SEED) para obras de restauração do Hospital Municipal, que há anos está com seu centro cirúrgico interditado.