SAÚDE

Região sem casos nem suspeitas de Febre Amarela

No Paraná, as doses da vacina são completas e não fracionadas como em outros estados onde ocorreram surtos. Em Minas Gerias, somente este ano, 108 pessoas morreram de Febre Amarela

6 MAR 2018 • Por Gladys Santoro • 19h12
Mosquito transmissor da Febre Amarela é comum nas matas - Agência Brasil

Nos 22 municípios da abrangência da 19ª Regional de Saúde não têm nenhum caso de Febre Amarela silvestree, no momento, nenhuma suspeita. A informação é do chefe da Divisão da Vigilância em Saúde da 19º Regional, Ronaldo Trevisan. Segundo ele, já houve suspeitas, mas após exames, nenhuma foi confirmada.  “Embora pareça estranho, mas é importante termos a suspeitas, porque assim ficamos atentos. Como os sintomas da Febre Amarela são, em um determinado momento, semelhantes aos de outras doenças, pode haver engano no diagnóstico, Por isso, quando há suspeitas, todos ficam em alerta”, comentou.

O surgimento de macacos mortos nas matas também é um sinal de alerta. “Macacos, como qualquer criatura, morrem de morte natural também, ou por outros motivos, mas é preciso colher material para a realização de exames. Quero deixar claro que o macaco é a primeira vítima. Ele não é o transmissor, por isso, não se justifica, de forma alguma, sair matando macacos por aí. Pelo contrário. Precisamos deles como sinalizadores da presença dos mosquitos transmissores da Febre Amarela na região”, disse.

Embora a região não tenha registro da doença há muitos anos, o chefe da Divisão da Vigilância da Regional de Jacarezinho aconselha os moradores, trabalhadores e frequentadores da zona rural, que tomem a vacina em qualquer uma das Unidades Básicas de Saúde dos 22 municípios da região. “Quem costuma viajar para regiões endêmicas, como alguns municípios paulistas, também devem se proteger. Um caso que apareceu em Curitiba recentemente, era de uma mulher moradora do Estado de São Paulo”,   contou.

Trevisan também explica que no Paraná as vacinas são com dose completa e não fracionadas. “Quem toma uma dose fica protegido praticamente para toda a vida. Esse não é o caso das doses fracionadas”, avisou.

Zona Rural

A preocupação com moradores, trabalhadores ou frequentadores da zona rural é porque os insetos transmissores da doença são silvestres - Haemagogus ou Sabethes. A febre amarela é transmitida por um mosquito infectado por seu vírus. Nas regiões de mata, eles picam macacos com a doença e, então, passam a seres humanos nas redondezas. É plausível que o Aedes aegypti dissemine a febre amarela nas cidades, mas isso não ocorre há décadas.

Doença avança pelo Brasil   

Apesar de as pessoas estarem perdendo o interesse pela vacina, a febre amarela continua avançando. O novo boletim do Ministério da Saúde aponta, pela primeira vez, um maior número de casos e mortes entre a temporada 2017/2018 do que na 2016/2017.

De 1º de julho de 2017 a 28 de fevereiro de 2018, foram confirmados 723 casos da doença e 237 óbitos no Brasil. No mesmo espaço de tempo do período anterior, foram 576 episódios da infecção, com 184 falecimentos.

Os estados mais afetados seguem sendo Minas Gerais (314 casos e 103 mortes), São Paulo (307 casos e 95 mortes) e Rio de Janeiro (96 casos e 38 mortes). O Espírito Santo também acusou cinco episódios de febre amarela, enquanto o Distrito Federal confirmou um. Há ainda 785 casos suspeitos sendo avaliados do sul ao norte do país.

Para ter ideia, antes da onda de febre amarela dos últimos tempos, o ano 2000 era com maior número de casos desde 1980, quando o governo começou a notificar os casos. Na época, foram 40 mortes – bem menos do que os 237 atuais.