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Jornal Tribuna do Vale - 13/06/2018

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HOMICÍDIO QUALIFICADO

Apontado pelo MP com um dos chefes do tráfico em Santo Antônio, Nonô é condenado a 21 anos de prisã

Defesa criticou investigações da Polícia Civil e do Ministério Público, desqualificou o trabalho da imprensa, mas não convenceu jurados sobre a inocência do réu

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14 MAR 2018Por Luiz Guilherme Bannwart08h41

Por maioria dos votos, o Conselho de Sentença do Tribunal do Júri da Comarca de Santo Antônio da Platina condenou na tarde desta terça-feira (13) o réu Rodrigo Martins, o Nonô, a pena de 21anos, 10 meses e 15 dias de prisão pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe. Apontado pelo Ministério Público Estadual (MP-PR) como um dos chefes do tráfico de drogas na cidade, Martins foi acusado de mandar assassinar Fabiano Gonçalves, na madrugada do dia 6 de fevereiro, na Vila Ribeiro, por ele se aliar a um grupo rival no comércio de entorpecentes no município, liderado por Michael Patrick Sanches, o ‘Cenoura’.

O julgamento teve início às 9 horas com o depoimento do delegado Tristão Antônio Borborema de Carvalho, responsável pelo inquérito que indiciou Martins. O titular da 38ª Delegacia Regional de Polícia explicou passo a passo aos jurados como aplicou as técnicas de investigação reconhecidas mundialmente que apontaram Nonô como mandante do assassinato de Fabiano Gonçalves, praticado por Carlos Alberto Padilha da Silva, o ‘Kaká’, que também seria julgado pelo mesmo Conselho de Sentença, mas teve o processo adiado em razão de problemas de saúde de um de seus advogados.

Após o depoimento do delegado Tristão de Carvalho, o juiz Júlio Cesar Michelucci Tanga pediu a todos que estavam no auditório do Tribunal do Júri para que se retirassem em função de informações repassadas pela Polícia Militar que poderiam oferecer risco a integridade física dos presentes.

Conforme apurou a reportagem, a PM teria sido informada sobre uma possível tentativa de resgate a Michael Patrick Sanches, o ‘Cenoura’, que veio de Londrina, onde está preso, e seria ouvido no período da tarde como testemunha no caso. Já a família de Sanches, disse aos jornalistas ter recebido informações de que ‘Cenoura’ seria assassinado.

Por medida de segurança, o juiz Júlio Cesar Michelucci Tanga antecipou a oitiva de Sanches com as portas do Tribunal do Júri fechadas e em seguida determinou seu regresso a Londrina.

Ao fim dos depoimentos das testemunhas, o Ministério Público, representado pela promotora de Justiça Nathalie Murilo Floroschk pediu a condenação do réu aos jurados pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe, não restando dúvidas para ela de que Nonô teria mandando executar Gonçalves, que trabalhava para ele no tráfico de drogas e se aliou a Michael Patrick Sanches, o ‘Cenoura’. “Mensagens trocadas através de celulares comprovam, por raciocínio, que Rodrigo Martins ordenou a Carlos Alberto Padilha que assassinasse Fabiano Gonçalves. Seria a forma de sentenciar a vítima pela traição, e por ela se aliar ao grupo rival que disputa o tráfico de drogas na cidade, além de vingar a morte de Aguinaldo Leite, o ‘Balaieiro’, ‘soldado’ de Nonô morto por Michael Patrick Sanches, o ‘Cenoura’, e um comparsa”, disse a promotora.

Já a defesa de Rodrigo Martins, representada pela advogada Flavia Lomba Corsini da Silva, pediu a absolvição do réu por ausência de prova da autoria, in dúbio pro réu (que prevê o benefício da dúvida em favor do réu) e ausência das qualificadoras. “Os senhores (jurados) não podem condenar um inocente sem provas, baseando-se apenas em boatos presentados pela acusação. Na dúvida, o réu deve ser absolvido, assim poderemos ‘cutucar’ a Polícia Civil e o Ministério Público para que nos apresentem quem de fato assassinou o Fabiano”, defendeu a advogada acrescentando. “Nenhuma das testemunhas ouvidas hoje aqui confirmou qualquer envolvimento do meu cliente neste crime, nem mesmo o Michael Patrick (Sanches), o qual afirmam a Polícia Civil e o Ministério Público que disputa o território pelo tráfico de drogas na cidade com o Nonô. É preciso investigar melhor esse caso, pois o verdadeiro assassino está solto”, concluiu.

A discussão entre acusação e defesa teve réplica e tréplica, e os ânimos se exaltaram. A promotora de Justiça Nathalie Murilo Floroschk disse que advogada Flávia Corsini estava desqualificando os trabalhos da investigação, que de forma clara e objetiva esclareceu a morte de Fabiano Gonçalves. “A defesa está querendo desqualificar os trabalhos do delegado e desta promotora dizendo que estamos pedindo a condenação do réu pautados por boatos. Não ingressei na promotoria de Justiça para acusar alguém com boatos, mas por meio de provas, as quais apresentei neste tribunal. Cabe ao senhores, no entanto, avaliarem se as palavras do réu tem mais importância que as minhas e as do delegado Tristão (de Carvalho). Reforço: O Nonô é um dos chefes do tráfico e drogas na cidade, e mandou assassinar Fabiano Gonçalves”, afirmou.

A advogada Flávia Corsini, por sua vez, voltou a bater na ausência de provas para incriminar o réu. “Debrucei-me nesse processo durante quatro meses, e tenho plena convicção de que o Nonô é inocente. Por isso insisto aos senhores para que absolvam o réu, e que cutuquem a Polícia Civil e o Ministério Público para que apresentem o verdadeiro assassino”.

Pouco antes das 18 horas, o juiz Júlio Cesar Michelucci Tanga proferiu a sentença que condenou Rodrigo Martins a pena de 21 anos, 10 meses e 15 dias de prisão, inicialmente em regime fechado. A defesa informou que vai recorrer da decisão.

Fake news

Durante sua atuação, a advogada Flávia Corsini fez duras críticas à imprensa classificando como fake News (notícias falsas) as informações divulgadas pela Tribuna do Vale e pelo Tanosite.com na sexta-feira (9), ao noticiarem o júri marcado para esta terça-feira (13), pautados por afirmações do Ministério Público Estadual (MP-PR) sobre o caso, as quais foram reafirmadas pela promotora de Justiça Nathalie Murilo Floroschk, e acatadas pelo Conselho de Sentença.

 

 

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