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Jornal Tribuna do Vale - 08/12/2017

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Inteligência da Polícia Civil mapeia perfil dos criminosos

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07 DEZ 2017Por Da Redação19h26

O número de furtos e roubos registrados em novembro, em Santo Antônio da Platina, reduziu drasticamente se comparado a setembro e outubro. A justificativa, segundo o titular da 38ª Delegacia Regional de Polícia, Tristão Antônio Borborema de carvalho, está no Serviço de Inteligência da Polícia Civil, que conseguiu mapear o modo de agir dos criminosos. O cruzamento dos dados com outros organismos de segurança possibilita uma analise criminal minuciosa dos suspeitos, que na grande maioria das vezes são os mesmos que aterrorizam os moradores até serem presos.

Em entrevista exclusiva à Tribuna do Vale e ao Portal Tanosite, Tristão de Carvalho explicou a metodologia desenvolvida pela Inteligência da Polícia Civil, crucial, segundo ele, para manter, mesmo que temporariamente, os criminosos atrás das grades.

De acordo com o delegado, todos os bandidos autuados no município são ‘catalogados’ por meio de fichas criminais. Nelas são registradas as característica física de cada um deles, as roupas que normalmente utilizam, criminosos com os quais se relacionam entre outras informações importantes que são atualizadas diuturnamente.

Além disso, uma planilha de furtos e roubos implantada há três anos e meio na 38ª DRP armazena dados importantes para a investigação, como bairro, modo de agir do bandido, se a preferência é comércio ou residência, a forma como o crime é executado, o tipo de armamento utilizado no delito, a coincidência com outros crimes, o número de parceiros envolvidos entre outras informações fundamentais. Tudo isso é catalogado e linkado com dados da Cadeia Pública.

“Então, por exemplo, se um marginal sai da Cadeia Pública, e dias depois aumenta o número de furtos e roubos na cidade, fazemos um link entre a ficha criminal desse que saiu da unidade e o número de delitos registrados no período. Trata-se de uma análise criminal, serviço de inteligência e não de investigação. A inteligência serve a investigação, ela coleta dados objetivos. A partir do momento que eu interpreto esses dados com as diligências, eu estou investigando”, explica Tristão de Carvalho. 

“Fim” dos assaltos

O delegado explicou como a Polícia Civil conseguiu equacionar a onda de assaltos na cidade. “Analisamos as características físicas do marginal através do boletim de ocorrência, o tipo de roupa que ele utilizou e levamos as informações ao conhecimento da vítima. Além disso, também começamos um trabalho direcionado na figura do receptador, isso é fundamental. O xeque-mate é o receptador!”, revela. “Portanto, através dessa análise de inteligência fornecida pelos dados da delegacia e pela movimentação carcerária focalizamos os principais suspeitos e pleiteamos suas prisões preventivas”, salienta.

Trabalho paralelo da PM

O titular da 38ª DRP ressalta o “importante trabalho paralelo da Polícia Militar”. “É quem age em situações de flagrância, ou seja: no exato momento que o delito ocorre, a PM consegue capturar os marginais. Então nessa confluência de fatores, tanto no serviço de campo do ato flagrancial da Polícia Militar, quanto do serviço de inteligência dos inquéritos em andamento foi possível fazer um cerco nos principais autores de assaltos na cidade, tanto adolescentes, como maiores de idade, que resultou expressivamente na redução dos assaltos”, pondera.

Trabalho provisório

Contudo, Tristão de Carvalho avalia que o trabalho desenvolvido é provisório, pois o fator criminalidade foge do controle da polícia. "Envolve fatores de urbanização, culturais, socioeconômicos, falta de expectativa de emprego entre outros, e tudo isso foge do controle da polícia. Quando o marginal deixa a cadeia, ou o Cense, quando adolescente, ele carrega consigo um 'X', uma marca, que a sociedade não absorve o egresso. Então, o que eles vão fazer? Reiterar!”, pondera o delegado. “90% dos presos por furtos e roubos são reincidentes. Então enquanto esses marginais permanecem presos por força de lei, a criminalidade cai. Enquanto por força de lei eles devem retornar ao convívio social, os crimes aumentam. Portanto, o que está no controle das polícias, no trabalho integrado, é possível equalizar a criminalidade”, conclui.

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