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Jornal Tribuna do Vale - 11/01/2018

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OPERAÇÃO ATROX

Promotoria diz que delegado recebeu R$ 50 mil para liberar traficantes

Titular da delegacia de Matinhos foi preso na manhã desta segunda-feira; sogro do prefeito de Ibaiti suspostamente beneficiado pelo policial também retornou para a cadeia

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29 JAN 2018Por Redação20h23
Delegado Max Dias Lemos foi preso na manhã desta segunda-feira, em MatinhosFoto: Divulgação/Polícia Civil

De acordo com o Ministério Público Estadual (MP-PR), o delegado Max Dias Lemos, titular da Delegacia de Polícia Civil de Matinhos, no Litoral do Paraná é suspeito de ter recebido R$ 50 mil para libertar dois traficantes de drogas da prisão. Entre eles, Flávio Farjala Fadel, sogro do prefeito de Ibaiti, Antonely de Carvalho (PMDB). Ambos, além de outros dois homens não identificados pela reportagem foram presos na manhã desta segunda-feira (29) durante a Operação Atrox, deflagrada pela 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Ibaiti.

"O representado Max Lemos Dias manipulou o inquérito policial em proveito próprio pois recebeu a quantia de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) (...) para desfazer a lavratura do auto de prisão em flagrante e liberá-los", diz um trecho do despacho que autorizou a prisão do delegado.

No documento, também há trechos de ligações telefônicas interceptadas ao longo das investigações. Em uma das chamadas, o filho de um dos presos libertados por Max, conforme o MP, comenta que o "veinho fez acerto com os homens e ficou de boa".

A promotoria argumenta, ainda, que esse não é o primeiro caso do tipo envolvendo Max. Conforme o MP, o delegado também é suspeito de receber R$ 39 mil para permitir que um investigado responda em liberdade a um inquérito que investiga uma morte na região.

Por isso, para a juíza que assina o despacho, Fabiana Ferrari, a prisão do delegado é necessária "para garantir a ordem pública ante a possibilidade concreta de reiteração delitiva".

O advogado do delegado, Miguelângelo Lemos, disse que, por enquanto, a defesa não vai se posicionar sobre o assunto.

O delegado Max Dias Lemos foi preso em Matinhos. Já a prisão de Flávio Farjala Fadel aconteceu em Ibaiti. Ele foi conduzido à 37ª Delegacia Regional de Polícia, porém, segundo o delegado Pedro Dini Neto, pouco depois foi transferido para a Cadeia Pública de Cornélio Procópio. As outras duas prisões ocorreram em Telêmaco Borba e Londrina.

A reportagem não conseguiu contato com o advogado de Fadel.

INVESTIGAÇÕES

De acordo com Ministério Público, as investigações foram coordenadas pela 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Ibaiti duraram oito meses. O foco era um homem de Ibaiti suspeito de chefiar uma organização criminosa de tráfico de drogas que agia na região.

Conforme a promotoria, durante o monitoramento dos suspeitos descobriu-se o envolvimento de um policial militar e do sogro do prefeito de Ibaiti no esquema criminoso. Ambos acabaram presos em Matinhos enquanto levavam drogas para o pivô das investigações.

Apesar do flagrante pelo crime de tráfico de drogas, os dois homens permaneceram presos por apenas uma noite e foram soltos ilegalmente por suspeita de pagarem propina ao delegado.

A operação coordenada pela 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Ibaiti teve o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Equipe de Inteligência da Polícia Militar (PM) para dar cumprimento aos mandados de prisão.

 

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