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Jornal Tribuna do Vale - 17/10/2018

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Mudemos para nosso interior

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11 OUT 2018Por Amadeu Garrido de Paula16h40

Deixar meu Brasil, expulsos pelos radicais?

 

E o povo que amo, todos? E minhas ruas, meus becos, onde foram depositados meus sonhos, minhas entranhas da memória? Saíamos sim, mas para nossos íntimos, onde reinam em seus recônditos as raízes da poesia.

 

O mundo grego e romano era o mundo só da cidade, sem espaço para o intimismo individual. Todos aqueles que choram no Brasil pela vitória dos radicais insensatos, não se transfiram geograficamente, mas assentem um símbolo arrasador, o símbolo da arte do dizer. E resistam heroica e bravamente às mazelas previsíveis, seja quem for o vencedor nas urnas.

 

Pouco importa se se trata de evasionismo ou romantismo. A mensagem do silêncio eloquente das maiorias é irresistível, até que uma governança sensata o compreenda, e o País conciliado tome o rumo do entendimento, do respeito recíproco, da condução das coisas públicas para o povo, pelo povo e para o povo.

 

Deixemos que as poesias latentes em nosso povo venham à tona. O romantismo defendeu a humanidade, ergueu a bandeira da liberdade, igualdade e fraternidade, porque de seu silêncio eloquente brota a consciência.

 

Só não permitamos que espremam nossos corações e nossos direitos; que de nossas poesias emanem críticas ásperas aos desmandos e às macerações éticas.

 

Isso é literatura política, mesmo e justamente quando pretende ser apolítica. 

   

 

Amadeu Garrido de Paulaé Advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.

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