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Jornal Tribuna do Vale - 16/06/2018

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DENÚNCIA

Prefeitura e Câmara de Pinhalão admitem desvio de combustível

Membros do Legislativo protocolam nesta quinta-feira no MP relatório de investigação

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12 JUN 2018Por Da Redação20h59
Vereadores apuram denúncia de desvio de óleo dieselFoto: Antônio de Picolli

Membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), da Câmara de Vereadores de Pinhalão, protocolam nesta quinta-feira (14), na regional do Gepatria - Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa, em Santo Antônio da Platina, órgão do Ministério Público do Estado do Paraná (MP-PR) o relatório das investigações para apurar denúncia de desvios de óleo diesel no barracão da prefeitura, caso que também gerou um inquérito policial na Delegacia da Polícia Civil de Tomazina, sede da comarca.

O relatório, além dos levantamentos realizados pelos vereadores, contém informações fornecidas pela administração municipal com base numa sindicância interna determinada pelo prefeito Sérgio Rodrigues (PDT). Os dois relatórios admitem diferença no estoque de óleo diesel nos reservatórios instalados no barracão da prefeitura, dando indícios de que a irregularidade ocorreu. Porém, a direção da Câmara e membros da administração municipal se negaram a dar detalhes das investigações, alegando sigilo.

A reportagem da Tribuna do Vale apurou através de servidores que pediram anonimato, que as investigações são imprecisas porque tanto o Executivo como o Legislativo não checaram o diário de bordo dos veículos que poderiam ser utilizados no desvio de combustível.  A falta de controle da administração seria a válvula para que tais irregularidades ocorressem, revelou uma das fontes.

Segundo uma dessas fontes, o que leva a este tipo de irregularidade é a falta de controle da quilometragem dos veículos que abastecem. Um veículo pesado com tanque de combustível de 700 litros completa o reservatório, viaja 500 quilômetros, e no retorno, alguém retira a sobra de combustível sem que o departamento de transporte faça a checagem.

Omissão

A reportagem obteve informação de que o servidor Railan Cassio de Oliveira, secretário de Obras do Município, que prestou depoimento gravado à CPI, admitiu que o prefeito Sérgio Rodrigues tinha conhecimento dos desvios seis meses antes de estourar a denúncia nas redes sociais. Um dos membros das comissões de investigação assinalou que, sob garantia de sigilo, Rodrigues já vinha investigando a veracidade de informações sobre as supostas irregularidades.

Essa versão contraria atitude do próprio prefeito, que ao tomar conhecimento de postagens em redes sociais, procurou a delegacia de Tomazina onde registrou queixa por suposto crime de calúnia. Se ele vinha investigando desvio de combustível, porque acionaria a polícia para apurar a responsabilidade por eventual ofensa à sua honra?, questiona um servidor municipal.

No final da tarde de ontem, Railan Oliveira, ao atender a ligação da reportagem, se mostrou nervoso, dizendo que nada tinha a declarar. Questionado sobre suas declarações à CPI, disse que prestou depoimento sob sigilo e que voltaria ao assunto apenas se chamado pelo Ministério Público. Ele chegou a insinuar que sua fala teria sido alterada no texto da CPI, esquecendo-se que tudo o que falou está gravado e poderá ser comparado ao depoimento por escrito.

O prefeito Sérgio Rodrigues, mas uma vez, procurado pela reportagem, não atendeu a ligação feita ao seu celular. Na cidade a informação é de que ele tem demonstrado preocupação e que estaria “correndo atrás” para tentar evitar estrago maior à sua reputação política e pessoal, mas em conversas reservadas e redes sociais, tenta se mostrar vítima de ataques oposicionistas e que isso estaria “promovendo” sua imagem na comunidade.

 

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