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Jornal Tribuna do Vale - 11/01/2018

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ADMINISTRAÇÃO

Reestruturação administrativa causa polêmica em Carlópolis

Orientado pelo Ministério Público, prefeito elabora novo planejamento; problema está em algumas nomeações

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11 JAN 2018Por Da Redação20h49
Hiroshi Kubo sustenta que seguiu recomendação do Ministério PúblicoFoto: AEN

Causou estranheza em setores da comunidade de Carlópolis a publicação de editais no Diário Oficial do Município em que o prefeito Hiroshi Kubo (PSDB) formaliza a demissão de vários integrantes do primeiro escalão, ocupantes de cargos em comissão, para, na mesma edição, veicular no decreto em que nomeia os mesmos servidores, acrescidos de outros elevados à categoria de secretários e diretores de departamento.

Na verdade o ato do prefeito atende a uma recomendação do Gepatria - Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa, órgão do Ministério Público Estadual (MPE), sediado em Santo Antônio da Platina. Em razão de irregularidades apontadas na estrutura administrativa que vigorava em administrações anteriores, Hiroshi elaborou uma nova estrutura administrativa, priorizando o aproveitamento de servidores de carreira para ocupar funções gratificadas, cm redução de custos da máquina administrativa.

Explicando a nova estrutura, Hiroshi Kubo esclarece que um servidor de carreira tem seu salário, ao qual é acrescida uma gratificação de função. Em caso da nomeação em função comissionada, o município estaria incorporando um novo servidor, com custo muito superiores aos contribuintes de Carlópolis.

Ao todo são 57 cargos dos quais, cerca de 10 de livre nomeação do prefeito, os chamados comissionados, a maioria com status de secretaria.

O que tem causado estranheza na comunidade é a suspeita de que parte dos ocupantes de cargos de primeiro escalão tem ligação de parentesco com eleitos, o que poderia caracterizar nepotismo cruzado ou nomeação por influência política.

Este é o caso de Amanda Giovana Amaral Mansur, nomeada como secretária de Educação e Cultura. Ela é nora do presidente da Câmara de Vereadores, José Mansur. Críticos da administração apontam que sua indicação é, no mínimo, uma imoralidade, já que se sabe do poder político do líder do Legislativo, pessoa que influencia a política local há cerca de três décadas. Existem várias outras situações polêmicas, embora não se possa afirmar a existência de ilegalidade.

Entre os cargos criados aparecem o de Procurador Geral do Município, que até a gestão passada era função de carreira, o que seria ilegal. Agora é um cargo em comissão, sendo ocupado pelo advogado José Alfredo da Silva, que deixa o cargo de assessor jurídico, com carga de 20 horas semanais, com salário de pouco mais de R$ 6 mil, para um posto em nível de secretaria, com remuneração de R$ 11.900 por mês.

No cargo anteriormente ocupado por José Alfredo, assumiu Alcides Soares de Oliveira Neto, o Dr. Cidinho, polêmico advogado que fez parte da gestão do ex-prefeito Roberto Coelho, o Robertinho, que por ter apoiado Hiroshi na eleição passada, ganhou de presente a pasta da Administração, só com um modesto salário de R$ 3.600. Uma curiosidade é a pequena diferença entre o salário de secretário para o de diretor de departamento, cerca de R$ 400.

O prefeito Hiroshi Kubo sustenta que seguiu o que foi recomendado pelo Ministério Público. Segundo ele, dos 57 cargos criados, apenas 40 estão ocupados. As funções vagas, segundo ele, serão preenchidas de acordo com a necessidade da administração e da disponibilidade financeira.  

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