Santo Antônio da Platina / PR33º21º19 de Abril de 2018
Jornal Tribuna do Vale - 12/04/2018

Edição ImpressaEdição 3575

Ler Jornal
IBAITI

Vereador deixa prisão, mas com tornozeleira

Habeas Corpus do TJ-PR mantém Tiguera como vereador, mas afastado da função policial

Comentar
Compartilhar
13 ABR 2018Por Da Redação20h12
Elielson Carlos Araújo (PTB), o popular Tiguera, que estava preso desde o dia 15 de marçoFoto: Divulgação

A Turma Julgadora do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), em decisão dividida, concedeu no final da tarde de quinta-feira (12), habeas corpus ao  vereador e policial civil de Ibaiti, Elielson Carlos Araújo (PTB), o popular Tiguera, que estava preso desde o dia 15 de março, acusado de vazar informações confidenciais de investigações policiais. Ele é membro da Câmara de Vereadores de Ibaiti e investigador lotado na delegacia de polícia de Tomazina.

Tiguera será mantido em prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica, ficando afastado do cargo de investigador de polícia, mas podendo continuar exercendo o mandato de vereador.

Ele Ministério Público prende vereador de Ibaiti suspeito vazar informações da Polícia Civil

Elielson Carlos Araújo, que também é investigador, é acusado de repassar informações sigilosas, as quais tinha conhecimento em razão do cargo de policial civil.

O vereador policial foi preso a pedido do Ministério Público do Paraná (MP-PR), em Ibaiti, suspeito de vazar informações sigilosas de investigações. A ‘Operação Perjúrio’ deflagrada para prender Araújo foi coordenada pela promotoria de justiça da Comarca, com o apoio do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) de Londrina.

Vazamento

De acordo com o Ministério Público, a operação resultou de investigação realizada pelo órgão, em razão de suspeitas de vazamento de informações sigilosas por parte do vereador. Durante as investigações, em que houve a infiltração de agentes num grupo investigado, constatou-se que, antes da deflagração de medidas cautelares deferidas pelo Poder Judiciário, Araújo repassou informações sigilosas, das quais tinha conhecimento em razão do cargo de policial, a fim de auxiliar os suspeitos e frustrar o cumprimento das medidas.

Ainda de acordo com o MP, no decorrer das investigações apurou-se a prática de outros crimes pelo parlamentar, dentre eles falsificação de documento público e facilitação de fuga de presos, ocorrida em fevereiro deste ano na Cadeia Pública de Ibaiti.

O MP salienta que esta não é a primeira vez que Araújo tem a prisão preventiva decretada. “Ele já esteve preso em 2016, quando foi deflagrada a ‘Operação Alcova’, que apurou a prática de crimes de exploração sexual de menores, sendo que veio a reiterar práticas criminosas conforme apurado na presente investigação”, disse a promotora, Letícia Alves.

A Promotora Nathália Galvão Arruda Torres assinala que o Ministério Público também já ingressou na esfera cível com ação por improbidade administrativa contra Tiguera. Ela afirmou que "sua atuação, na condição de policial civil, deveria garantir a segurança pública da população, reprimindo as condutas criminosas, tendo agido de forma diametralmente oposta, ao frustrar ações de combate ao crime. Ainda, diante de sua posição social de vereador, enquanto representante do povo, deveria ter um exemplo de conduta social, sendo que acabou por violar os princípios que regem a Administração Pública, em especial o princípio da moralidade e da legalidade", ponderou.

O investigador foi levado pela Corregedoria da Polícia Civil para Curitiba, onde permaneceu preso preventivamente à disposição da Justiça.

Perjúrio

Conforme a Promotora de Justiça Dúnia Serpa Rampazzo, a operação foi batizada de ‘Perjúrio’ em razão da violação do juramento de ‘servir e proteger’ a sociedade, que todo policial faz ao ingressar na carreira.

Blogs

Ver Todos os Blogs