Santo Antônio da Platina / PR33º21º22 de Setembro de 2018
Jornal Tribuna do Vale - 21/09/2018

Edição ImpressaEdição 3686

Ler Jornal
ATÉ QUANDO?

Mulher morre por atraso em atendimento no PS

Comentar
Compartilhar
02 DEZ 2017Por Da Redação02h17

Amanhã, dia 3 de dezembro, seria um  dia normal na vida do agricultor Nelson  Luiz Gonçalves, 71 anos, morador no Distrito de Conselheiro Zacarias, em Santo Antônio da Platina, não fosse a dor da perda de seus grande amor, a professora Maria das Dores Ferreira Gonçalves, que há décadas lecionava em uma escola daquela comunidade. Neste dia se completa um mês que ela morreu, depois de agonizar por longas oito horas, das quais, seis no pronto Socorro Municipal e mais duas horas esperando socorro da UTI Móvel do Samu (Servido de Atendimento Móvel de Urgência) de Jacarezinho.
A reportagem da Tribuna do Vale encontrou o agricultor, pro acaso, dentro da agência do Banco do Brasil de Santo Antônio da Platina. Ele resolveu dar a entrevista enquanto era atendido pelo bancário e ex-vereador Francisco Proença, o Chiquinho do Macarrão Net, como é mais conhecido. “Mataram minha mulher, meu grande amor, por falta de atendimento”, desabafou, não contendo o choro, apesar do esforço para controlar a emoção. Nilson Gonçalves conta que chegou ao Pronto Socorro por volta das 3 horas da madrugada, ali permanecendo sem atendimento até às nove horas da manhã. Ele identifica a médica Adriana Spainer com sendo a plantonista que dava atendimento no PS naquele momento.
“Quando atenderam minha esposa, ela apresentava pressão arterial 6 por 4. Ela já apresentava dificuldade de entender o que estava acontecendo a sua volta por falta de oxigênio no cérebro. Ao perceberem a gravidade da situação, foi aquele corre-corre. Entubaram minha mulher e chamaram a UTI móvel do Samu, que demorou duas horas pra chegar ao Pronto Socorro. Ela deu entrada às 11h30 da UTI (Unidade de Tratamento Intensivo), da Santa Casa de Jacarezinho. Menos de uma hora após, ela estava morta. Se ela tivesse sido socorrida há tempo, estaria do meu lado hoje, viva!”, desabafou em maio às lagrimas incontidas.
“Minha mulher morreu por falta de atendimento, primeiro pelas seis horas que esperou no Pronto Socorro e, em segundo, pelas duas horas que aguardou a ambulância do Samu”, denuncia. Para o agricultor, PS da cidade “virou um açougue”. Questionado pela reportagem se havia denunciado o caso às autoridades judiciárias, disse que, aconselhado pelos filhos, resolveu manter o silêncio, postura que decidiu rever ao encontrar o jornalista.
Nilson Gonçalves disse ainda que, não bastasse seu desespero pelo estado de saúde da esposa, ainda teve que suportar a agressividade e arrogância de um enfermeiro, que o teria abordado de forma ríspida e agressiva. “Isso é que é triste, além do descaso, ainda temos que suportar a falta de respeito de alguns funcionários”, desabafou.
Finalizando, o agricultor contou que, durante três anos e meio acompanhou a mulher nas sessões de hemodiálise que fazia no Instituto do Rim de Santo Antônio da Platina, sonhando com sua recuperação total, mas a “irresponsabilidade criminosa abortou seus sonhos. “Estou inconformado e muito triste. Ela era uma mãe amorosa, uma esposa exemplar, uma professora amada, querida por todos. Ela morreu por falta de atendimento deixando uma lacuna na vida de todos nos”, concluiu emocionado.    

 

Blogs

Ver Todos os Blogs