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Jornal Tribuna do Vale - 17/09/2018

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Sindicato reage à demissão em massa no HR e ameaça greve

Assembleia Extraordinária foi marcada para segunda-feira, com todos os funcionários

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28 FEV 2018Por Gladys Santoro19h28
Hospital Regional está demitindo 110 funcionáriosFoto: Antônio de Picolli

O Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Cornélio Procópio marcou para o início da tarde de segunda-feira, 5 de março, uma assembleia com os funcionários do Hospital Regional do Norte Pioneiro, com sede em Santo Antônio da Platina. Na pauta, a demissão de todos os 110 empregados da unidade, por conta da estadualização da unidade. O sindicato quer explicações detalhadas da estadualização, da Fundação que vai assumir a gestão e ameaça greve dos trabalhadores.

Os funcionários já estão cumprindo aviso prévio e até o dia 25 de abril, todos devem estar desligados. A gestão deixa de ser do Consórcio Intermunicipal da Saúde do Norte Pioneiro (Cisnorpi), que atende 22 municípios, e passa a ser gerido pela Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Estado do Paraná – FUNEAS.

Segundo o presidente do Sindicato, Reginaldo Ristau, a demissão não foi comunicada à entidade e a estadualização “pegou todos os funcionários de surpresa”.

“Queremos detalhes da estadualização, da nova gestão pela Fundação, de como serão pagos os direitos trabalhistas dos 110 funcionários, que segundo me adiantaram, fica em mais de R$ 1,5 milhão. De onde será levantado esse dinheiro? O hospital ainda tem ações trabalhistas anteriores para quitar. Todas essas questões terão que ser respondidas”, avisou.

Para Ristau, não havia necessidade da estadualização agora. “O hospital já passou por situações complicadas, mas já algum tempo as finanças estão em dia, e os serviços oferecidos à população melhoraram muito”, comentou.

De acordo com o edital de convocação de Assembleia Geral Extraordinária, publicado na edição de hoje da Tribuna do Vale, a demissão em massa já foi denunciada ao Ministério Público do Trabalho e ao Ministério do Patrimônio Público para investigação, assim como os motivos da estadualização. A situação toda também foi comunicada ao Coren (Conselho Regional de Enfermagem).

Ristau também quer saber sobre o Processo Seletivo Simplificado que será realizado para contratação de funcionários para o Hospital. “Queremos saber como será feito esse PSS, se os atuais trabalhadores terão algum tipo de prioridade. Não é justo deixar tanta gente desempregada de uma hora para outra”, disse.

O sindicalista ainda questiona a gestão pela Funeas. “O HR será gerido por uma fundação. Isso na prática não significa que será pelo governo do Estado. O Cisnorpi tem que esclarecer todas essas questões”, disse.

PSS

Segundo o Cisnorpi, a partir de 25 de abril, a Funeas assume o HRNP, porém, antes será realizado o Processo Seletivo Simplificado para contratação de funcionários. Os atuais podem concorrer. Os que passarem no PSS serão contratados por seis meses podendo renovar o contrato por mais seis meses. Após esse período, a Fundação deverá abrir Concurso Público para contratação definitiva de funcionários.

ESTADUALIZAÇÃO

A estadualização do Hospital Regional do Norte Pioneiro foi anunciada no ano passado, e era uma medida que vinha sendo articulada há anos, pois visa mais recursos à unidade, tanto na questão financeira quanto ao desenvolvimento de programas governamentais na área da Saúde do Estado.

Há alguns anos, o Hospital enfrentou uma série de problemas econômicos, que culminou em uma greve dos médicos, que trouxe transtornos a toda a população regional. Além de um repasse mensal do governo do Estado, o HR também recebe um valor per capta dos municípios atendidos, porém, desde o início de suas atividades, teve problemas com a inadimplência de algumas prefeituras, o que causa desequilíbrio financeiro à unidade.

A Estadualização foi a forma encontrada de desonerar as prefeituras e também de reforçar o atendimento à população regional, que soma cerca de 290 mil pessoas.

Em dezembro, a medida foi anunciada pelo secretário estadual da Saúde Michele Caputo Neto.

Segundo ele, o governo estadual criou a Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Estado do Paraná (Funeas), para assumir a gestão da instituição após o vencimento do contrato do Cisnorpi, marcado para dia 25 de abril de 2018.

“Estamos aguardando o vencimento do contrato do Cisnorpi, que terá que promover as demissões e acertos trabalhistas de todos os atuais funcionários do hospital. Antes disso realizaremos um processo seletivo para selecionar os profissionais que atuarão sob a gestão da Funeas”, assinalou Caputo na ocasião do anúncio. Segundo ele, a expectativa é que será contratado um número superior de funcionários.

Atualmente, o HR possui 73 leitos, sendo 10 leitos de UTI Neonatal, 38 obstétricos, 17 clínicos cirúrgicos e oito leitos de pediatria para atendimento aos recém-nascidos. A ala da Unidade de Terapia Intensiva Adulta (UTI) está pronta e equipada. Ela vai atender com 10 leitos.  O hospital, além de ser referência para o atendimento às gestantes, atende as especialidades de ortopedia, pacientes referenciados de traumatologia de média complexidade e cirurgias gerais eletivas.

FUNEAS

Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Estado do Paraná - FUNEAS, é uma fundação pública com personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, de beneficência social, de interesse e de utilidade públicos regida por seu estatuto e pela Lei Estadual nº 17.959, de 11 de março de 2014. Integra a Administração Pública Indireta do Estado do Paraná vinculada à Secretaria de Estado da Saúde para efeito de supervisão e fiscalização de suas finalidades. Tem por finalidade desenvolver e executar ações e serviços de saúde nas unidades próprias da Secretaria de Estado da Saúde.

 

 

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