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Jornal Tribuna do Vale - 08/12/2017

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O MILAGRE DO AMOR

“Deus capacita seus escolhidos”

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17 NOV 2017Por Gladys Santoro19h52

“Deus capacita seus escolhidos”. Essa frase é da fotógrafa Ingrid Pereira de Carvalho, mas conhecida como Ingrid Mendonça, de Siqueira Campos, e foi dita em um de seus muitos vídeos postados em seu canal no YouTube sobre sua filha Helena. Seria apenas uma citação comum,  daquelas que a gente usa para resumir um assunto ou para justificar o injustificável, se não se tratasse de uma história de amor que nasce do nada e explode para o tudo, com todas as suas implicações: insegurança, dúvidas, medo, coragem...afinal, Helena estava distante dos sonhos da criança ideal que um casal adotante procura, ou seja: branca, saudável e no máximo com três anos.

Não. Helena não é assim. Helena tem problemas neurológicos, talvez microcefalia (diagnóstico ainda não fechado), problemas respiratórios (usava sonda quando estava em um abrigo em São Paulo), tem um ano e cinco meses, mas tamanho de um bebê de seis meses, movimentos limitados, e ainda tem uma traqueostomia - resultado de uma das muitas cirurgias que já passou desde que nasceu.

(Arquivo)

Enfim, Helena, provavelmente cresceria, se sobrevivesse a tantos problemas de saúde, em um abrigo ou em hospital. Não é a criança dos sonhos de ninguém, ou, de quase ninguém. Ingrid, seu marido Douglas de Carvalho e seus dois filhos Cauê e Cauane, a amaram assim que souberam de sua existência. Depois a amaram muito mais quando a conheceram, a pegaram no colo, enfrentaram o drama da espera de uma cirurgia, o desespero de um internamento em UTI (Unidade de Tratamento Intensivo), a espera pelo direito da guarda. A amam, agora, infinitamente, toda vez, que, em casa, ela faz uma gracinha, mexe com as mãozinhas, acaricia o rosto do pai, sorri para a mamãe e irmãos.

(Arquivo)

O amor da família é tão grande, que Helena está surpreendendo até os médicos. “Desde que chegou em casa, em setembro deste ano, ela nunca mais ficou doente. O diagnóstico inicial de microcefalia já virou dúvida. Uma tomografia feita esses dias mostrou que circunferência de sua cabeça começou a crescer novamente. “Ela é uma criança especial, tem lesões cerebrais que afetam os movimentos, mas com tratamento, boa alimentação e amor de sobra, Helena vem nos surpreendendo dia a dia. Adotamos uma criança especial, que eu sequer sabia se ia sobreviver. Tinha medo de, na tentativa de ajudar, acabar piorando seu estado por desconhecer o assunto. Mas Deus capacita seus escolhidos. Nossa Senhora abriu nosso coração para ela e hoje o que temos em casa é o milagre do amor”, contou a mãe mais coruja do mundo.

Por que eu quero adotar?            

Ingrid sempre sonhou em adotar uma criança. Embora tenha se casado e tido seus filhos como a maioria das mulheres desejam, ela ainda acalentava a vontade de ajudar uma criança necessitada. Com os filhos já criados, o casal entrou na fila da adoção e em um grupo de adotantes na internet. “São cerca de 40 mil pessoas querendo o mesmo que eu queria. Uma criança saudável, com três anos no máximo e de preferência menina”, contou. Um dia, na busca ativa, apareceu o nome e as especificações de Helena, sem fotos. “A situação precária daquela criança me emocionou. Desnutrida, desidratada, doente, cheia de sondas. Então Nossa Senhora tocou nossos corações. Por que eu queria adotar uma criança? Não era para dar a ela o que lhe foi negado em algum momento de sua vida? Sim, era. Se não fosse Helena, não seria outra, disse meu marido. E a partir desse momento, iniciamos nossa peregrinação. Fomos visita-la no abrigo em São Paulo, mas ela estava em uma cirurgia. Ficamos lá, para que ela tivesse quem a recebesse quando saísse da sala. Esperamos que se recuperasse, entramos com os papeis para a guarda e viemos embora. Voltamos dias depois, e ela estava novamente internada. Em setembro, já estabilizada, e com os papeis da guarda, trouxemos Helena”, contou.

(Arquivo)

Hoje, mãe, pai e os irmãos se revezam para cuidar da caçula. “Helena é filha de todos nós, porque nasceu em nossos corações”, resumiu.

Ingrid mora em Siqueira Campos. É uma fotografa bem sucedida, casada com       . Eles são pais de dois filhos adolescentes: um rapaz de 18 anos e uma menina de 15. A vida caminhava tranquila. Talvez tranquila demais para o casal, que resolve entrar em um grupo de adoção para ampliar a família. Não que eles não pudessem mais ter filhos, mas porque a adoção fazia parte dos planos deles. “ Sempre quis adotar, e entrei na fila como a maioria dos adotantes. Queria uma criança saudável de até três anos 

    

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